SOBRE O SITE PROGNOISE
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Patrick Moraz é muito conhecido do público brasileiro de rock progressivo, principalmente daqueles que viveram os anos 70 em sua intensidade, quando o músico suiço tocava no Yes e chegou a morar brevemente no Brasil. Os que acompanharam a aventura brasileira de Moraz, que inclusive tem uma filha nascida aqui, lembram-se de sua ligação estreita com o rock nacional, ao tocar com Zé Ramalho (é dele o solo em “Avohai”) e a quase montar um novo conjunto com o pessoal do Vímana (Lulu Santos, Lobão, Ritchie etc). Aluno de Nadia Boulanger, Clara Haskil e de Stephane Grapelli, Moraz foi o mais jovem competidor a receber o prêmio de Melhor Solista no Zurich Jazz Festival em 1963, desenvolvendo um forte interessse inicialmente pelo jazz, excursionando solo ou ao lado de nomes famosos do estilo pela Europa e até pelos Estados Unidos, antes de subitamente decidir partir para o rock. Moraz então montou o Mainhorse, com o amigo Jean Ristori, em 1969, uma espécie de versão particular para o Nice, muito famoso na época. O sucesso foi tão grande que, com a saída de Keith Emerson do Nice (para formar o Emerson, Lake & Palmer), os membros remanescentes, Lee Jackson e Brian Davidson, chamaram Patrick para os teclados do recém-criado Refugee, um poderoso e promissor power trio progressivo que poderia ter rendido mais se não fosse o convite do cantor Jon Anderson para Moraz substituir, ninguém menos, que Rick Wakeman no Yes. O sucesso meteórico porém não sobreviveu à guerra de egos no Yes. Após um bem-sucedido disco na banda (“Relayer”) e uma gigantesca turnê mundial de três anos, Moraz acabou saindo amigavelmente para uma carreira solo, que havia começado em 1975 com “Story of I”, que contou com a presença de músicos brasileiros. Mas nem bem Moraz havia se estabelecido como um artista solo (o segundo “Out in the sun” vendeu bem), surgiu o convite para integrar o The Moody Blues, substituindo o fundador Mike Pinder. O primeiro disco com a nova banda, “Long distance voyager”, de 1978, foi um dos maiores sucessos de vendagem da história do conjunto e sacramentou Patrick no posto pelos próximos 13 anos, ao mesmo tempo em que continuou a tocar a sua própria carreira – experimentando inclusive parcerias, as mais famosas ao lado do ex-baterista do Yes Bill Bruford e com o flautista romeno Simion ‘Syrinx’ Stanciu. Patrick Moraz é hoje requisitado consultor de tecnologia musical e uma autoridade em design de engenharia, planejamento e programação neuro-linguística. Entre os seus projetos atuais (além de compor para a televisão, produzir e gravar), relatam-se esforços na área educacional multi-mídia. No meio disso tudo, Moraz arranjou tempo para remasterizar pessoalmente e relançar toda a sua obra em CDs, que estão saindo no ano de 2006 em parceria entre seu próprio selo (Time Wave) e a gravadora britânica Voiceprint. Nesta edição e na próxima, iremos conhecer um pouco sobre cada lançamento.

 

Começamos pela excelente estréia à frente da banda Mainhorse, que no ano de 1970 conseguiu descolar um contrato com a poderosa Polydor para lançar no ano seguinte o primeiro e único disco. Patrick era o líder natural do grupo e seu principal compositor. Pioneiro no uso do sintetizador, Moraz ainda faz uso tímido da tecnologia, concentrando esforços no clássico som encorpado do órgão Hammond e no piano. O outro músico de destaque no Mainhorse é o bom baterista Bryson Graham, que mais tarde tocaria com o tecladista e cantor Gary Wright no Wornderwheel e faria parte, a convite de Wright, na reforma do Spooky Tooth em 72. O homônimo e único disco do Mainhorse é um típico produto pop da época, com uma sonoridade pesada e elaborada, na cola de conjuntos como The Nice, Deep Purple, Gravy Train etc. São ao todo sete faixas, com destaque para as longas “Pale sky”, mistura de jazz e rock, e a ambiciosa “God”, uma suíte sinfônica bem ao gosto da turma do progressivo. Com arranjos peculiares e um som vigoroso, a banda conseguiu chamar alguma atenção, suficiente para Lee Jackson e Brian Davidson do The Nice lançarem um convite irrecusável a Patrick Moraz, que acabou no final selando o destino do Mainhorse.

 

Por sua vez, o Refugee também não haveria de ter melhor sorte. Igualmente, seu primeiro e único disco, até bem pouco tempo um item disputado a peso de ouro entre colecionadores, sobreviveu até o surpreendente convite do Yes para Moraz ser seu novo tecladista, no lugar de Wakeman. Mas antes disso, “Refugee” fez bastante sucesso junto à crítica e teve uma boa vendagem se for levado em conta a falta de estratégia para divulgar o disco pela gravadora Charisma. O grupo era praticamente o The Nice com Moraz nos teclados, que desta vez se aventurou tanto ao piano e no órgão Hammond como pelas maravilhas do sintetizador Moog. São apenas seis preciosas faixas, lotadas com o talento do trio, com destaque para o rock sinfônico de “Grand Canyon Suite”, dividida em cinco partes, em mais de 15 minutos de duração. Outra faixa longa e elaborada é a misteriosa “Credo”, capturada em climas eruditos e jazzísticos, também separada em oito partes. Completam o repertório bons exercícios de rock progressivo setentistas como “Papillon” e “Someday”, as experimentais “Gatecrasher” e “Ritt Mickley”. Infelizmente para os fãs tanto “Refugee” quanto “Mainhorse” não possuem faixas extras, mas a sonoridade foi recuperada de forma espetacular e merece ser conferida. Dois clássicos da trajetória de Moraz, que continua na próxima edição da coluna. Até lá!

MARCO LO MUSCIO – The Book of Bilbo and Gandalf (DryCastle): O pianista e organista italiano Marco Lo Muscio é uma espécie de novo astro e bravo aventureiro na eterna busca musical de uma fórmula bem sucedida na fusão entre a música clássica e a popular, no caso o rock. O rock progressivo sempre foi reconhecido como um território por excelência para este tipo de experiência e produziu, igualmente com sucesso e fracasso, músicos jovens e talentosos que misturaram a apredizagem e a influência de compositores de diversos períodos como Bach, Mozart, Brahms, Beethoven, Tchaikovsky etc etc, com o rock’n’roll de Elvis, Richard, Holly e o que mais vinha das rádios de sua infância. Nomes como Rick Wakeman, Keith Emerson, Tony Banks, Patrick Moraz, Kerry Minnear, entre tantos outros, fizeram desta mistura a sua fama pessoal e o motivo pelo qual são ainda hoje lembrados. O curioso é que a grande maioria são tecladistas (mas sem esquecer, obviamente, Frank Zappa, Robert Fripp e toda uma geração de autodidatas como Ian Anderson etc). Aos 39 anos, Lo Muscio é do primeiro time – pianista de formação clássica, diplomado nos melhores conservatórios da Itália. Porém ele fez o caminho inverso. Um músico com experiência em festivais eruditos e nos grandes palcos da Europa, ele escolheu o rock progressivo, uma verdadeira e tremenda manifestação pop, como área comercial para o lançamento de sua produção fonográfica recente. Com uma discografia evolutiva, nesta década, com mais de dez álbuns lançados, para piano e órgão (com interpretações da obra e genialidade de mestres como Gould, Mehldau, Faurè, Lizt, Strauss, entre outros), nos últimos quatro lançamentos – pela gravadora Dry Castle –, Marco decidiu por um mergulho não apenas na música, mas na literatura. A sua paixão pelo escritor britânico J. R. Tolkien, o autor de “O Senhor dos Anéis”, o incentivou a propor uma parceria e farta troca de contribuição com outros músicos e amigos próximos, no caso o tecladista de rock progressivo Pär Lindh, o flautista inglês John Hackett e o seu irmão, nada menos que o lendário guitarista do grupo Genesis, Steve Hackett – com quem Marco Lo Muscio já havia trabalhado anteriormente nos discos “New Horizons – The Music of Steve Hackett” e “Dark and Light. Juntos, este quarteto trabalhou arduamente em estudio para recriar o universo fantático do escritor. Cada um dos convidados contribuiu com uma composição própria, para esta ser, ao seu tempo, retrabalhada, principalmente ao piano, por Marco. Coube ao Grand Piano Steinway e sua tremenda sonoridade o escolhido para a tarefa. Lindh (com participação de alguns músicos da sua banda Par Lindh Project) selecionou “The Fellowship on Entering the Magic Forest of Lothlorien”, e ainda tocou Hammond B3, Mellotron 400, sintetizadores e órgão. A música é sem dúvida a mais “progressiva” do repertório, dramática na dose certa. A elegância fica por conta  de uma das seis composições de Muscio, “Galadriel – Elf Song”, que emenda brilhantemente em “Dark and Light – The Book of Gandalf”, ambas sombrias e delicadas peças genuinamente clássicas. Steve Hackett comparece em seguida com “Galadriel”, recheada de violão e nylon, e de melodias cativantes em pouco mais de três minutos. O seu irmão John é mais impressionante na bela pastoral “Thoughts Turn Homeward”, que vem logo antes da suite “The Hobbit Book – Bilbo and Gandalf”, que precede o melhor momento do album, a épica “Visions From Minas Tirith – The White Tree”, aterradora, gótica e grandiosa, executada solenemente no órgão de tubos, de igrejas – e participação da flautista estoniana Oksana Sinkova. Este é dos melhores lançamentos do gênero nos últimos anos e Marco Lo Muscio, anotem em seus cadernos e notebooks, é definitivamente um músico para se conhecer e ouvir. Discoteca básica.

MARCO LO MUSCIO – Dark and Light (DryCastle): O italiano Marco Lo Muscio encontrou uma fórmula, até então inédita, de traduzir não a música clássica através do idioma popular, no caso o rock. Mas sim de fazer o trajeto inverso, ou seja, de traduzir as pretensões do rock, neste caso o progressivo, trazendo-o para o fértil território erudito, pela linguagem genuinamente dos conservatórios, dos salões de câmara e recitais. Talentoso no piano e no órgão, o compositor romano Marco Lo Muscio foi aluno de mestres como Maiorani, o grande pianista Sergio Fiorentino e o organista J. E. Goettsche, titular da Basílica de São Pedro no Vaticano – Marco, ele próprio, é uma figura proeminente, sendo o organista principal da National Canadian e da Igreja de Santo Alexandre em Roma, além de diretor artístico do International Organ Summer Festival. Com o título completo de “Dark and Light – Progressive Originals and Transcriptions for Grand Piano and Pipe Organ”, este é o penúltimo lançamento de Lo Muscio, registrado em 2009, imediatamente anterior a “The Book of Bilbo and Gandalf”, sua obra-prima. Experiente na obra de Faurè, Lizt, Strauss, Messiaen, bem como dos modernos Gould, Mehldau, Keith Jarrett e até Chick Corea, e depois da bem sucedida estréia no “rock progressivo” com o disco “New Horizons – The Music of Steve Hackett”, Marco submergiu corajosamente na interpretação personalíssima de composições “prog”, de autoria de luminares do gênero, como Keith Emerson, Rick Wakeman, Steve Hackett e o também genesiano Anthony Phillips. Mas apesar de ser um disco quase tributo aos gênios das cordas progressivas, abarcando a santíssima trindade da escola do rock progressivo britânico – Yes, Emerson, Lake & Palmer e Genesis –, destaque curiosamente fica reservado para a assinatura de Lo Muscio em oito das 15 faixas que formam o álbum. A primeira parte do disco, praticamente, Marco reservou para sua performance ao grand piano, e a segunda metade ao órgão de tubos, tão comum nas grandes igrejas. O resultado é brilhante e capaz de levar os mais fanáticos amantes do rock progressivo às lágrimas. O bom gosto da seleção começa justamente pelo subapreciado Anthony Phillips e o belíssimo álbum “The Geese And The Ghost”, com “Lutes' Chorus (Henry: Portraits From Tudor Times)”, revisto com delicadeza e arrojo por Marco. A sequência com “Set Your Heart at Rest”, presente no disco “A Midsummer Night's Dream”, de Steve Hackett, foi uma grande sacada, e abre com uma dobradinha genesiana o CD. Segue então, em uma demonstração de incrível versatilidade de Lo Muscio, a série de homenagens presente no disco, com a climática “Gymnopédie n.0 – To Erik Satie", “Night Song – To Bill Evans", “Blue Prelude – To Tullio Forlenza” e “Meditation on Horizons – To Steve Hackett”. Ainda de Steve, Marco resgata no órgão de tubos a faixa “All is Mended”, destaque do repertório de “A Midsummer Night's Dream”. Depois é a vez do aguardado embrenhamento na obra do grande Rick Wakeman, e justamente em um dos grandes clássicos do autor – “Jane Seymour”, pérola do brilhante debut em “The Six Wives Of Henry VIII”. O saldo é positivo e, decididamente, a música se tornou ainda mais erudita e séria, numa real e substanciosa contribuição à música, muito longe da simples releitura. E com fôlego, logo depois, um “presente de rei” com o vigoroso “Choral And Prog Dance - To Keith Emerson”. Sensacional. O disco já seria obrigatório em qualquer discoteca se parasse por aqui, mas ainda tem uma versão de cair o queixo para uma reinvenção do próprio Emerson para Aaron Copland – com o batismo de “Fantasy On Fanfare For The Common Man". Ufa! E ainda tem mais Hackett com “Second Chance” (de “Bay Of Kings”) “New Litanies – o Gandalf's Dance - To Annie Haslam”, “Mystic Dance Of Fire – To Robert Fripp” e uma composição do mestre clássico Arturo Stàlteri, em “Towards Lórien” além da original “The Book Of Gandalf”, que já revelava a paixão de Marco por Tolkien, que desabrocharia de vez no próximo trabalho. “Dark and Light”, confira este CD. Indicado sem reservas.

 

THREE MONKS – Neogothic Progressive Toccatas (Dry Castle): Grupo italiano formado na região italiana de Arezzo, é um surpreendente combo de talentosos músicos de orientação erudita e clássica com a nítida proposta de recapturar a idéia do “power prog trio” – teclado, baixo e bateria, que fez a fama e fortuna do Emerson, Lake & Palmer” – em uma versão camerata neo gótica, séria e centrada principalmente no uso maciço e grandioso do órgão de tubos. O resultado é algo como o Emerson, Lake & Palmer inserido nos contos medievais de Umberto Eco, transmutado para a história de suspense e mistério de “O Nome da Rosa”. O resultado é um climão de catedral, que não se quebra nem com a presença eletrificada do baixo e da bateria, o que concede, no fim das contas, uma energia espetacular ao saldo final obtido no álbum. O conjunto é formado pelo organista e compositor  Paolo Lazzeri (de codinome Julius), o baixista e também engenheiro de som Maurizio Bozzi (ou Bozorius), e uma dupla de bateristas e percussionistas, Roberto Bichi (curiosamente chamado de Placidus) e Claudio Cuseri (Ursinius). Lazzeri vinha da experiência de ter tocado em bandas de rock progressivo na Itália, tendo pertencido àlgumas nos anos de 1970, mas com uma sólida formação clássica, com foco na romântica. Paolo chegou a estudar orquestração e é um aficcionado pelo rock sinfônico e o órgão, influenciado tanto pela música de Julius Reubke como pelo progressivo forjado pelo King Crimson e Van der Graaf Generator. Lazzeri chamou o amigo Bozzi – outro experiente músico profissional da cena progressiva italiana da década de 70 – para juntos montar um trio onde pudessem desenvolver o ambicioso projeto musical de unir o eruditismo, de suas raízes artísticas, com o rock progressivo que curtiam. Com a adição de Bichi e Cuseri, estava formado o Three Monks, que neste ano lançou o álbum de estréia pela Drycastle Records. “Neogothic Progressive Toccatas” foi gravado na Itália, mas mixado e masterizado na Dinamarca e é um primeiro trabalho girando em torno da pirotecnia de Paolo Lazzeri no órgão, com o apoio trovejante de uma cozinha rítmica segura e sólida. Música barroca, neogótica, romântica e profundamente medieval, de inspiração secular, remete o ouvinte a séculos de história, desenvolvimento humano na música, em uma ponte arrebatadora entre passado, presente e, de olho no, futuro. Afinal isto aqui também é rock. Rock progressivo da melhor espécie e um reduto para os apreciadores de teclado, especialmente o órgão de tubos – que também contribuiu para o sucesso de gente como Wakeman, Emerson e Jon Lord, entre outros (Thijs Van Leer, Rick Van der Linder etc). São ao todo apenas seis faixas, em 50 minutos de duração, sem vocais (à parte do coro que acredito sintetizado no início de “Neogothic Pedal Solo”) e com uso pesado, clautrofóbico e enérgico do órgão – mas com um grande solo de baixo na excelente e mencionada “Neogothic Pedal Solo”. O início com “Progressive Magdeburg” (em homenagem à reconstrução da referida catedral, destruída durante a Segunda Guerra Mundial) é encorajador, no ataque furioso e cheioi de “cores” de Paolo no teclado, que arrebata o resto da banda numa espiral de referências clássicas, que marcará nota a nota todo o álbum. A grandiosidade das composições e a execução séria e detalhista empolgam da introdução ao fim do disco, e na verdade pouco chama atenção para quem esperava uma grande influência do Emerson, Lake & Palmer – o mais próximo, residiria mesmo em conjuntos italianos como Il Balletto di Bronzo e o Goblin. Tanto é verdade que este último merece uma sincera e devida homenagem com a recriação do clássico e grande sucesso “Profondo Rosso” (composto para o filme homônimo de Dario Argento) em “Deep Red – Profondo Gotico”. Fiel ao original, a gravação acrescenta ainda mais peso e mistério, sendo o destaque da bolacha digital. “Toccata Neogotica #1” e os mais de 10 minutos de “Toccata Neogotica #7” também brilham no disco, sendo tributos à memória de Lizt e, principalmente, Anton Bruckner, o compositor austríaco que, organista, é dito, pediu para ser enterrado com o seu órgão. “Herr Jann”, outra homenagem (desta vez ao organista George Jann), completa o repertório, em alto estilo, luxuoso e barroco, encerrando o desejo que um futuro promissor traga a banda novamente a gravar e editar mais lançamentos deste porte. Um dos grandes disco progressivos de 2010.

 


Steve na visão de Marco
29 de novembro de 2010

O italiano Marco Lo Muscio, a estrela desta coluna no mês de novembro, encontrou uma fórmula, até então inédita, de traduzir não a música clássica através do idioma popular, no caso o rock. Mas sim de fazer o trajeto inverso, ou seja, de traduzir as pretensões do rock, neste caso o progressivo, trazendo-o para o fértil território erudito, pela linguagem genuinamente dos conservatórios, dos salões de câmara e recitais. Talentoso no piano e no órgão, curioso que o primeiro dos seus discos solo dedicados ao rock progressivo foi todo calcado num tributo ao guitarrista e violonista Steve Hackett – famoso músico do Genesis. Lançado originalmente em 2008, a idéia foi a de transcrever a riquíssima veia autoral de Hackett para a guitarra desta vez em versões para o grand piano e o órgão de tubos. O que poderia parecer loucura, revelou-se num sensacional disco apropriadamente intitulado New Horizons, The Music of Steve Hackett. Os disco tributos são geralmente tediosas tentativas de emprestar uma leve visão pessoal à obra de um artista consagrado. Marco vai muito mais adiante e simplesmente recria a música de Steve (selecionando o repertório de discos como “Voyage of the Acolyte”, “Bay of Kings”, “Guitar Noir” e “Momentum”) e até do Genesis (“Selling England By The Pound”) sob uma perspectiva estritamente erudita e clássica. O produto final é novo, fresco e original, acreditem. “Horizons”, “Hands of Priestess Part I” e “Firth of Fifth” (registrado no Chelyabinsk Organ Hall em 2004) ganham uma nova roupagem e desfilam com pompa, delicadeza e circunstância genuinamente progressiva para uma audiência que aguardava por isso há tempos. Quem poderia imaginar que “Kim” seria um dia executada com grande beleza na Westminster Cathedral (em 2007)? Se você ainda não conhece esse disco, corra. Ainda ganha de bônus, as belas execuções para “Bourée in e minor BWV 996” e “Prelude in G Major BWV 1007” de Bach.


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Cordas do sol nascente
12 de novembro de 2010

Lá do outro lado do mundo, vem outro guitarrista desconhecido que merece sua atenção – é o virtuoso axeman Tak Matsumoto. Ele é o maior nome da guitarra no Japão, admirado por ninguém menos que Steve Vai, merecendo da fábrica Gibson o seu próprio modelo, com a assinatura Tak Matsumoto Les Paul (é o quinto a merecer essa homenagem e antes dele somente Jimmy Page, Joe Perry, Ace Frehley e Slash). Quer mais? Matsumoto é considerado por tabela como o maior nome da guitarra em toda a Ásia, e é admirado por lá também por ser um brilhante compositor e um bem-sucedido produtor. Ele fez fama inicialmente com o conjunto B’z – que chegou a lançar cerca de doze discos, contabilizou a incrível marca de mais de 80 milhões de discos vendidos (no Japão!), que a tornou a banda de rock mais popular da história do país. E pensar que o cara é quase que totalmente desconhecido no Brasil. A história começa em 1988 quando, já um famoso músico de estúdio, formou o B’z – lançando nesse mesmo ano seu primeiro solo instrumental “Thousand wave”. Em 1992, alternando trabalhos ao lado do B’z, lançou o segundo disco “Wanna go home”. Apenas dez anos depois apareceu com “Hana”, disco que fez um enorme sucesso e convenceu Steve Vai a lançá-lo nos Estados Unidos através de seu próprio selo – o Favored Nations (www.favorednations.com). Após uma série de apresentações espetaculares em frente de mais de 700 mil pessoas (maioria em estádio de futebol, muitos deles usados na recente Copa do Mundo de 2002), Matsumoto e B’z aproveitaram o embalo para embarcar numa turnê pelos Estados Unidos – culminando em shows lotados em Los Angeles e San Diego. A consagração definitiva do B’z e a cristalização do talento de Tak Matsumoto serviram como uma bela divulgação para “Hana”. O disco não é muito fácil de se encontrar por aqui, mas vale a pena procurar nas principais lojas de importados ou na internet – é um verdadeiro achado. Lado a lado com as óbvias influências nipônicas de música atonal, delicada, meditativa, Matsumoto revela-se um grande admirador da tradição ocidental e roqueira, principalmente da de guitarristas como Hendrix, do jazz rock de Jeff Beck e até mesmo do blues de Clapton. A sua versão para “Little wing” de Jimi é um dos pontos altos do disco. As composições originais de Tak são em sua maioria de melodias inspiradas (e, quem sabe, mesmo improvisadas em estúdio), com um bom gosto a toda prova – “Machi”, “1090 – asian sun”, “Midousuji Blue” e a ótima faixa bônus “Trinity” são os destaques. A opção pelas escalas pentatônicas faz maravilhas no álbum, aliada ao seu estilo de rock clássico, dedilhado, viajante. Outra versão, dessa vez para “Romeo & Juliet” (do maestro italiano Nino Rota), é um bom exemplo. “Hana” é uma pequena jóia pronta para ser descoberta.


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Um guitarrista para anotar o nome
3 de novembro de 2010

Adrian Legg nasceu em Londres e primeiro aprendeu o oboé, fazendo a sua transmutação para o violão e a guitarra durante sua adolescência. É bastante provável que a sua experiência no oboé tenha contribuído para a sua técnica de dedilhado única, que através dos anos o ajudou a montar uma reputação e sucesso invejável. Influenciado pela música clássica, jazz, folk, country e o rock, Adrian cultiva desde os anos 70 uma carreira produtiva e discreta, mas acompanhada de perto por um público que já o colocou em seu devido lugar nas eleições anuais de revistas especializadas como a bíblia Guitar Player. O próprio Vai e Joe Satriani estão entre seus admiradores confessos. E foi Vai quem o convidou a lançar “Inheritance” pela Favored Nations. Adrian Legg é saudado como um dos melhores guitarristas do mundo apesar de declarar preferir o som acústico do violão. “Inheritance” não escapa a isso mas apresenta alguns dos solos de guitarra mais criativos, emocionantes e de bom gosto a toda prova. É um álbum inspirador, delicado, atmosférico e com belíssimas passagens instrumentais. “Inheritance” passeia à vontade e com desenvoltura pelo rock e jazz, inclusive com momentos mais funkeados. Os destaques mais óbvios ficam por conta de faixas como “Nefertiti — what a sweetie!”, a melódica “My blackbird sings all night” e “A waltz for Leah”, esta com um apelo quase medieval. “More in the swamp” é um desbunde, e a harmonia remete diretamente à tradição do blues britânico de Clapton e do zeppeliano Page. Ainda tem a céltica “Doublejigs”, acompanhada de cordas que concedem certo clima orquestral que pontua algumas faixas. “Decree”, a emocionante “The good soldier”, mais as solenes “Psalm with no words” e “Emneth” conferem uma aura de sensibilidade e serenidade raras de achar na música pop. Legg é um artista para ser descoberto com urgência pelos amantes do estilo e do instrumento no Brasil. Essa é uma excelente oportunidade.

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