SOBRE O SITE PROGNOISE
WELCOME! BIENVENIDOS! BENVENUTI! BIENVENUE! WILLKOMMEN! VÄLKOMMEN! TERVETULOA! WITAMY! VÍTE(A)JTE! DOBRODOŠLI! ДОБРО ПОЖАЛОВАТЬ! ΚΑΛΩΣΟΡΙΣΑΤΕ! ברוכים הבאים! ようこそ! 歡迎光臨! Sejam bem-vindos! Boas vindas a todos que aqui chegam. A história do que é o Prog Noise, ou a estória (sim, por que a realidade e ficção se misturaram várias vezes ao longo dos anos), remonta ao ano de 1998, quando comecei a editar a coluna no jornal International Magazine que, neste ano de 2009, enfim começa a chegar às teias da web. É apenas uma simples coincidência que ao comemorar mais de 10 anos a coluna dá este passo, ainda que, como todos os iniciais, um pouquinho cambaleante, bastante humilde, porém decidido. E num futuro próximo o espaço evoluirá, ficará melhor e, aposto, mais interessante. Durante todo este tempo procurei oferecer aos fãs tradicionais e aos novos curiosos de rock progressivo um lugar de informações seguras, agradáveis, um espaço isento de preconceitos e o mais amplo possível com as atualidades do gênero – abrangente e difícil de definir desde o começo. Procuro abordar as velhas e as novas guinadas em sua direção, geralmente calcadas no passado (saudosos anos 70, a matriz áurea), sem descuidar do presente, das novas bandas, artistas, e as novas propostas. Ao misturar o rock com música erudita, clássica, jazz, folk, psicodelia, hard, eletrônica, vanguarda e o que mais se apresentasse, este gênero musical popular (sim, é pop!) chamado de “progressivo” provocou e ainda provoca calorosas e apaixonadas discussões, defesas e teses, sobre o que ele é, sobre o que não é, mas nunca ignorado. Por isso a liberdade e a inesgotável fonte de assuntos para as hoje mais de uma centena de edições da coluna. Algo que espero ser transposto, acredito que com sucesso, na medida do possível, para o espaço virtual ‘dot com’. Espero também contar com as opiniões e as sugestões de vocês para aprimorar sempre e continuar fornecendo conteúdo sobre o assunto - uma paixão de muitos. Jorge Albuquerque

COMO FUNCIONA O SITE: Como a intenção é o de fazer deste espaço uma extensão da coluna no International Magazine, a periodicidade das matérias principais (PROGHIGHLIGHTS) e das críticas (PROGREVIEWS) será mensal. Não necessariamente serão as mesmas matérias e críticas da edição das bancas naquele momento, podendo ser outras, de edições anteriores e até mesmo de futuras. O blog à sua direita será atualizado sempre que houver novidades, funcionando como espécie de informativo sobre atualidades do rock progressivo. Sendo assim, poderá haver “news” a toda hora, diariamente, semanalmente, enfim, conforme a necessidade, o tempo e a disposição.

ATENÇÃO: a coluna PROG NOISE é uma iniciativa sem fins lucrativos de qualquer espécie, apenas produzindo conteúdo e divulgando informações sobre música. A coluna não se responsabiliza por qualquer contato ou transação comercial efetuada com as citadas gravadoras e/ou artistas. Os sites que porventura sejam indicados são apenas dicas para encontrar os CDs aqui mencionados, sem nenhuma relação de valor comercial ou lucro de qualquer espécie. As críticas revelam uma opinião pessoal, admitindo-se discussões saudáveis a respeito dos assuntos abordados, mas não se admitindo ofensas de qualquer tipo.

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 Já foi dito que Steve Hackett era um mestre sem carinho. Um guitarrista para lá de fenomenal, mas sempre esquecido pelo público e a crítica. Seja como for sempre será lembrado com o guitarrista do Genesis, durante a época mais criativa e progressiva do conjunto, com quem gravou cinco discos de estúdio durante os anos 70. Hackett pertenceu tanto ao período festejado com Peter Gabriel como na transição para a voz de Phil Collins. Steve foi o primeiro a gravar um disco solo e a iniciar uma carreira paralela à do grupo. Aproveitou a oportunidade da guinada do Genesis em direção ao som mais pop e comercial (que renderia milhões de dólares) e a conseqüente ira dos fãs, para pedir o chapéu e deslanchar de vez seu próprio caminho musical. Ao misturar rock, jazz fusion e world music com ingredientes de progressivo, sua música se tornou logo original e de longe identificável, pelo menos pelos fãs. A técnica apurada de Hackett, um mix de clássico, blues e folk, lhe rendeu sempre o respeito dos outros músicos mas não foi suficiente para colocá-lo entre os favoritos gênios da guitarra. O primeiro solo de 1975, “Voyage of the acolyte”, ainda com a presença dos parceiros de Genesis Phil Collins e Mike Rutherford, quase que um disco perdido da banda, difere, por exemplo, quase completamente do disco seguinte (“Please don’t touch”) que tinha até influências da música negra norte-americana. “Spectral mornings” de 79 e sua viagem fusion também têm pouco haver com o pop de “Cured”, em 81, o blues de “Blues with a feeling”, de 95, ou mesmo com o todo o exuberante classicismo romântico de “A midsummer night’s dream” de 1997 – com o acompanhamento da London Symphony Orchestra. O único ponto em comum é a guitarra personalíssima de Hackett, com certificado de identidade seja qual for o estilo. Talvez o único momento de real sucesso comercial na carreira de Steve tenha sido o compacto com a música “Cell 151”, música do álbum “Highly strung” de 1982, que, ao ser encaixada num comercial de carro, invadiu a parada européia. Seja lá como for Steve não deixou em nenhum momento de fazer shows e realizar excursões pela Europa e Estados Unidos, chegando se apresentar algumas vezes na América Latina e no Brasil.

Para quem tinha um famoso e verdadeiro pavor do palco logo no início com o Genesis, Steve Hackett hoje se sente confortável praticamente na frente de qualquer platéia. Através de sua própria gravadora, a Camino Records, Steve tem lançado e licenciado seus discos e vídeos desde meados dos anos 90. Atravessando o seu melhor e mais criativo momento nos últimos dez anos, com a calorosa recepção ao seu último trabalho (“To watch the storms”), Hackett passou fazer uso inteligente do formato do DVD, lançando alguns excelentes shows. O mais recente, para surpresa, acaba de ser lançado no Brasil pela ST2. “Once above a time” é o registro do show em Budapeste, capital e a maior cidade da Hungria, em abril de 2004, durante a última turnê européia. O show é semelhante ao do DVD anterior (“Somewhere in south america” de 2002), mas superior na qualidade e no uso de câmeras. O diretor parece mais talentoso e um tanto mais eficiente em mostrar os melhores ângulos, controlando a equipe de filmagem que parece estar sempre no lugar certo no momento certo. As luzes e efeitos de palco são poucos mas na medida do bom gosto e bastante profissional.

No quesito repertório e emoção, “Once above a time” é imbatível. Talvez o melhor registro ao vivo de Hackett. Steve está mais relaxado, e até sorrindo no palco. Ele sabe que é bom. A gente sabe que ele é genial. Combinado isso ele desfila músicas do Genesis e da sua carreira solo: “Valley of the kings”, “Mechanical bride”, “The circus of becoming”, “Serpentine song”, “Ace of wands”, “Blood on the rooftops”, “Please don't touch”, o trecho instrumental de “Firth of fifth”, “Darktown”, “Air-conditioned nightmare”, “Every day”, “Spectral mornings” e “Los endos”, entre outras. A sua banda, escolhida a dedo, é formada pelo produtor e engenheiro de som Roger King no teclado, o baixista Terry Gregory, o baterista e cantor ocasional Gary O'Toole e Rob Townsend no sax e vocais de apoio. Banda nota 10. Do prog rock ao jazz fusion, passando por momentos acústicos, eruditos ou de puro rock’n roll, “Once above a time” é cerca de 90% instrumental, com Steve cantando uma ou outra canção e mostrando que não tem apenas técnica mas emoção ao tocar sua guitarra. Mas um dos momentos mais bonitos do DVD é quando quem assume os vocais é o improvável O'Toole, para cantar a bela “Blood on the rooftops”, arrepiando os cabelos dos saudosos de Phil Collins. Enfim, é um DVD perfeito para os fãs e até para quem está chegando agora, pois funciona que é uma beleza como uma introdução ao trabalho de Steve. Viva mestre!

Outra boa opção em DVD com Steve Hackett é o relançamento pelo selo inglês Classic Rock Productions (www.classicrockproductionsonline.com) de “Horizons”, filmado em 1990 na mítica cidade de Nottingham. Fazendo parte exclusivamente da caixa de três DVDs “Progressive Rock Collection”, ao lado de shows do tecladista Rick Wakeman e da banda Barclay James Harvest, há bem pouco tempo era também encontrado avulso. Para quem gosta de rock progressivo é a festa, mas para quem gosta da sofisticação de Steve, os exageros de Rick e o morno aniversário de 25 anos do BJH deixam um pouquinho a desejar.

Para situar o leitor no tempo, o show de “Horizons” surge após um hiato na carreira solo de Steve, quando em 1986 decidiu montar com ninguém menos que Steve Howe do Yes um super grupo pop ao estilo do Asia. E assim, até o destino do GTR foi similar: com uma música nas paradas (“When the heart rules the mind”), o choque de egos pôs fim ao conto de fadas pouco tempo depois. Em 1988 Hackett pulou fora, com apenas um disco gravado, e foi se meter em numa aventura acústica com “Momentum”. “Horizons” é sua volta ao rock, com uma turnê pela Inglaterra e um repertório com suas melhores músicas até o momento, fazendo um apanhado da carreira. Abre o show logo com uma versão nervosa para “Camino royale”, seguida de “Please don’t touch” e do longo solo de “Everyday”. Acompanhado de Julian Colbeck nos teclados, Ian Ellis no baixo, Fudge Smith (do Pendragon) na bateria e do irmão John Hackett na segunda guitarra e nas flautas, Steve imprime em músicas como “In the heart of the city”, “Theatre of sleep” e “Depth charge” um tratamento diferente do de estúdio. O excelente serviço de recuperação de imagem e a cuidadosa remasterização do som ajudam a dar um tempero a mais no concerto, conseguindo envolver o espectador apesar dos parcos 51 minutos de duração.

Outro atrativo de “Horizon” é a acertada inclusão de duas músicas da época de Genesis, “In that quiet Earth” e “Horizon”, além de uma “Jazz jam” onde os cinco músicos apresentam as credenciais no momento mais descontraído do show.

HELLMUT HATTLER – Bassball (Bassball Records): o extraordinário músico, compositor e produtor é uma lenda da música pop alemã, um especialista no baixo e um gênio de rara sensibilidade melódica para arranjos. Um convicto e fascinante músico apaixonado pela liberdade e a criatividade, a música de Hattler é honesta e tocada com inteira dedicação desde os tempos de Kraan – uma resposta mais relaxada, mas não menos talentosa, para o jazz rock de bandas como Mahavishnu Orchestra e Weather Report. O Kraan chegou a ser uma celebridade na Europa e nos Estados Unidos e vendeu milhares de discos na metade final dos anos de 1970. A partir da década de 1980, com o declínio comercial e artístico do Kraan, Hatler foi fazer parte das bandas de Billy Cobham e de Brian Auger, antes de montar nos 1990, com sucesso internacional, o Tab Two, grupo pioneiro do acid jazz. Hatler chegou mesmo a compor para Tina Turner. Nos últimos anos Hellmut vem se dedicando ao retorno do Kraan e ao seu novo grupo, o quarteto Hatller, que apesar do relativo sucesso com uma música pop bastante dançante e vanguardista, no fim das contas lembra pouco o início de sua carreira solo com “Bassball”, na verdade um disco que poderia fazer parte da discografia do próprio Kraan. O disco foi recentemente remasterizado e recebeu um tratamento sônico que o recupera para as novas gerações. Gravado originalmente em 1977, o disco é uma fonte de inspiração para baixistas e fãs de fusion por todo o planeta. Um fato que nem as péssimas letras e os vocais sofríveis (ainda piores do que os de Wolbrandt no Kraan) conseguem apagar. O que interessa aqui é a música – da melhor qualidade. O álbum traz as participações de quase todo o time do Kraan na época (Jan Wolbrandt, Jan Friede, Ingo Bischof) mais feras do calibre de Curt Cress (Passport, Triumvirat) na bateria. A música é intricada e complexa, apesar de comercial, e os músicos mostram seu virtuosismo sem o menor pudor. Faixas como “Sunday walk”, “Wenn dir kraaniche zie'n” e “Penguins on Broadway”, a trinca que abre o disco, estão entre as melhores faixas. Depois do lançamento, Hattler voltaria para o Kraan, influenciando o então novo som do conjunto. Mas essa é outra história. Discoteca básica.

RAMSES – Light fantastic (Sky Records): com a saída de Herbert Natho e de Klinkhammer em 1979, os integrantes remanescentes recrutaram o novo cantor, Mathias Möller, e o baixista Herbert Wolfslast. Com essa formação, a banda foi para o tudo ou nada com “Light fantastic”. O grupo deixou para trás a grandiosidade da sua música elaborada, a mistura de guitarras, violões, com os teclados pomposos, por um som mais acessível, mas ainda bastante progressivo, lembrando muito o som mais pop e espacial que o Eloy estava fazendo naquele momento. Ao lado de canções acessíveis para as FMs como “Sorry Ma” e “carry on”, os destaques são as excelentes e mais elaboradas “Force of habit”, de Wolfslast, responsável pelas letras de todas as músicas, e as longas suítes “Earth in the dark” e “Across the Everglades”, ambas do guitarrista Winfried Langhorst. Detalhe: a bonita capa é uma obra da artista plástica Helga Bartkowiac, responsável também pelo visual místico dos dois primeiros álbuns. A pouca repercussão do LP, porém, selou definitivamente o futuro do Ramses e a banda se dissolveu de vez logo depois. Permaneceu a boa lembrança de um conjunto elegante, com uma música bonita, complexa, majestosa e que, até em seus momentos finais mais pops, conseguiu realizar composições inteligentes, arrojadas. O disco também entrou nas celebrações dos 30 anos e saiu em CD com uma faixa bônus – a ótima “Noise”, que saiu na época do lançamento do álbum somente na versão para o mercado norte-americano. Discoteca básica.

 

SWEET SMOKE – Just a poke & Darkness to light/ (EMI): a banda foi um dos expoentes menores, mas não menos importante, do movimento que recebeu o nome “krautrock”, mas era formada por músicos norte-americanos que haviam se “refugiado” artisticamente na Alemanha. Obedecendo uma filosofia hippie, os músicos e suas famílias moravam juntos, em comunidade (como o Kraan, logo no início) no interior do país. A música do conjunto era uma mistura de rock, jazz, folk e psicodelia, influenciado por Frank Zappa, Miles Davis, Yes e Allman Brothers, tudo no mesmo caldeirão de “jams” e muita experiência. Outra das características da banda eram músicas longas e complexas como na estréia com “Just a poke”, disco com apenas duas faixas enormes, uma me cada lado do LP. Esse primeiro disco trazia Andy Dershin no baixo, Jay Dorfman na percussão, Marvin Kaminowitz nos vocais e nas guitarras, Michael Paris no sax, flauta e vocais e Steve Rosenstein no vocal e guitarra. O hard-blues psicodélico “Baby night” e a medieval e folk “Silly Sally”, as únicas composições, são “viagens” jazzística progressivas, lotadas de solos intermináveis – com a curiosa ausência, para o gênero, de teclados. Lançado em 72, o disco fez imediato sucesso na Alemanha e acabou sendo encampado na seara do krautrock. No ano seguinte, com a adição de mais dois músicos, sairia o segundo disco: “Darkness to light”. Mas dessa vez a banda optou por seis composições de duração mais curtas, em vez dos quase vinte minutos de cada do anterior. A orientação musical das canções mudou e passou a investir nas influências de Crosby, Stills & Nash e do Chicago, o que irritou boa parte dos fãs do álbum de estréia. “Just an empty dream” e “Believe me my friends” são bons exemplo, com seu som mais commercial, feito para tocar nas rádios. Em compensação, “Kundalini” tem mais de 13 minutos e é de longe a mais interessante, com sua influência indiana. Porém a falta de inspiração na faixa “Darkness to light” e no pop rock de “Show me the way to the war” e “I’d rather burn than disappear” desapontam aqueles que esperavam por mais jazz e rock progressivo. Nem a produção de Conny Plank e sua mágica nos estúdios foi capaz de impedir o fim do conjunto. Os dois discos acabam de voltar agora às prateleiras numa edição remasterizada, compacta “2 em 1”, que vale a pena conhecer. Em um só disco toda história de uma das mais interessantes e injustamente menos conhecidas bandas (incluídas no movimento) do “krautrock”.

 


ESTOU DE VOLTA!
4 de agosto de 2011

 Desculpe-me pessoal pelo longo período de ausência, mas estou voltando... e este espaço aqui, além das novidades do rock (progressivo etc), também será um lugar para as novidades dos DVDs da gravadora ST2, que apóia a coluna. Um forte abraço a todos, e até daqui a pouco.

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Uma entrevista recuperada com Scott Rockenfield
20 de janeiro de 2011

Decidi recuperar uma entrevista que fiz com Scott Rokenfield, aproveitando a iminência de um novo disco. Espeor que curtam. Scott Rockenfield construiu a fama esfolando o couro no conjunto de prog metal Queensrÿche. Baterista de uma das melhores (senão a melhor) banda de rock pesado dos últimos quinze anos. Enquanto alguns colegas copiavam o Iron Maiden e Judas Priest, nos anos 80 o Queensrÿche imprimia uma sonoridade calcada numa mistura de Queen com Kiss e Pink Floyd que deu certo. Scott é um dos fundadores do quinteto de Seattle e foi um dos primeiros a desenvolver uma carreira paralela. Foi trabalhar para a televisão e cinema.  Scott já compôs para curta-metragens, programas de televisão, comerciais, jingles, e chegou a receber uma indicação ao prêmio Grammy com o projeto multimídia (música & vídeo) TeleVoid ao lado do guitarrista Paul Speer – e a parceria continuou com o lançamento do bem-recebido Hells Canyon (o disco é estupendo!) em 2001. No ano seguinte experimentou fazer parte de uma banda pop paralela ao Queensrÿche, o Slave to the System, lançando um disco homônimo, investindo num rock de garagem competente mas sem grandes consequências – parece que o grupo está preparando um novo álbum. O que nos interessa aqui é um CD gravado naquele mesmo período mas só lançado no finalzinho do ano passado (e inédito por aqui): The X Chapters. Amigo do recém-falecido compositor de trilhas Michael Kamen, com quem trabalhou, Scott Rockenfield é fã declarado de música para o cinema e rock progressivo, e decidiu investir nessas fichas em The X Chapters. O álbum funciona como trilha sonora, digamos, para um filme imaginário, próximo de algum roteiro de ficção-científica. Se alguém disser que é eletrônico, entenda por eletrônico a exemplo do som feito pelo Tangerine Dream ou Vangelis ou Jean-Michel Jarre. Nada de Air, Fatboy Slim e congêneres. Produzido em parceria com o engenheiro de som Tom Hall (Queensrÿche, Spencer Brewer, etc), Scott usou tecnologia digital de ponta, gravando no conforto  do seu próprio estúdio, The Grove. No fim das contas é um som basicamente calcado em um esquadrão de teclados, sequenciadores, e em sua mastodôntica percussão.  Scott tocou o disco em frente praticamente sem nenhum auxílio, contando apenas com uma discreta participação nos arranjos de Tom Hall. Usando de alguma criatividade e boas doses dos clichés do gênero, o resultado final pode mesmo impressionar quem gosta do estilo. The X Chapters possui ao todo 11 faixas, evoluindo em capítulos com direito a títulos de pura curtição como “Opening Titles” e “End Credits”. É pena que dura pouco. Em pouco mais de 44 minutos, a música é energética, envolvente, e cheia de climas. Os destaques vão para “Survival Instincts”, “The Animal Within”, “Theatre of Mind”, “Magnetic” e “September”. Músicas que poderiam estar em qualquer um desses filmes de ação que entopem as Telas Quentes e Supercines da vida. Segundo o próprio Scott, é uma espécie de “carta de apresentação” para os executivos de Hollywood.
PROG NOISE: Desde quando esse desejo de uma carreira solo? E como você ainda encontra tempo para tocar em uma outra banda, o Slave to the System? SCOTT ROCKENFIELD: “Eu sempre tive vontade de compor também fora do Queensrÿche, onde eu me dedico ao máximo. E o meu material solo me têm dado a oportunidade de criar um outro tipo de música que não poderia ser incluído no repertório da banda. Encontrar tempo para realizar todos esses projetos é uma tarefa que muito me agrada – mas tem que se ter uma boa agenda!”.
PROG NOISE: Você já tem uma relativa experiência com a indústria cinematográfica. The X Chapters é tremendamente influenciado pela música para filmes. Afinal, desde quando nutre essa paixão SCOTT ROCKENFIELD: “Tenho sido fã de trilhas sonoras há mais de 20 anos. Comecei compondo o meu primeiro trabalho instrumental também muito cedo e ví que tinha jeito para a coisa. Estou muito satisfeito de ter esta oportunidade. É uma experiência que exige muito do músico”.
PROG NOISE: Vários aspectos de The X Chapters lembram um mix de Tangerine Dream com a de compositores como Jerry Goldsmith e Graeme Revell ? O que fez um baterista de rock optar por esse tipo de música em sua carreira solo? SCOTT ROCKENFIELD: “Venho me espelhando em vários compositores para esse tipo de música, incluíndo estes. Eu apenas tento expressar minhas idéias, da mesma forma que acredito que eles façam com as deles. E estou contente de saber que os fãs do Queensrÿche tem recebido o meu trabalho com entusiasmo”.
PROG NOISE: Quanto tempo levou para gravar The X Chapters e qual foi o papel de Tom Hall no estúdio? SCOTT ROCKENFIELD: “Levei cerca de nove (!!!) meses para gravar, mixar e masterizar todo o disco. E eu já vinha compondo a música do álbum havia vários anos. Tom Hall tem sido um grande amigo nesses últimas duas décadas e nossa parceria vem praticamente desde o primeiro EP do Queensrÿche. É um dos melhores músicos e engenheiros de som que conheço”
PROG NOISE: Você tem planos de levar o trabalho para os palcos? O que você pensa da carreira que vem fazendo Hollywood? SCOTT ROCKENFIELD: “Calma, calma (risos)! Eu ainda não diria que tenho uma carreira estabelecida no cinema. Adoraria realmente trabalhar mais e mais para Hollywood, porém, enquanto isso, eu estou me envolvendo no maior número possível de áreas musicais. Adoraria compor música para um longa metragem. Recentemente compus o intro para um filme independente (The Hair of the Dog), que deverá estrear até o fim do ano. E também amaria levar a minha música para o palco, e fazer um show inteiro com ela.”
PROG NOISE: Alguma novidade para seus fãs e do Queensrÿche? SCOTT ROCKENFIELD: “Um monte (risos)! Mas eu manterei todos informados através do meu site na internet. E espero que eu e o Queensrÿche possamos estar em breve novamente Brasil”.
Enquanto esse dia não chega (a apresentação da banda no Rock in Rio II foi bem legal), o selo especializado em equipamentos e material para música digital Big Fish Audio está lançando o esperado CD-ROM Scott Rockenfield - Queenrÿche Drums com o registro dos principais loops e grooves de bateria e percussão para a música platinada do Queensrÿche. É um must para qualquer baterista. Um disco duplo, sendo que o primeiro é a chamado versão wet com a presença dos microfones de estúdio, e o segundo disco na versão dry, ou seja, sem os tais microfones mixados. Scott Rockenfield é o produtor desta série, a Performance Loops e dá a assinatura para “Eyes of a Stranger”, “Sister Mary”, “Hit the Black”, “Jet City Woman”,  “Another Rainy Night” e o sucesso internacional (inclusive de novela por aqui) “Silent Lucidity”. 


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Johnny Warman de volta! De novo!
10 de janeiro de 2011

Novidade reciclada do selo Angel Air é o novo relançamento de um disco clássico de Johnny Warman. Warman, que teve educação musical erudita e que fez inclusive parte do prestigioso Royal Opera House, onde ainda criança chegou a dividir o palco com ninguém menos que Maria Callas (!). Mas em meados dos anos 70, Johnny já havia deixado para trás tudo isso e pertencia completamente ao circuito rock de Londres, tocando com diversos grupos e tendo feito um relativo sucesso com o compacto “Rock Star” (composição que pode até ser chamada de punk) de 1975. Foi quando o aloprado Ringo Starr o chamou para o seu selo Ring-O label, lançando mais um compacto de certo sucesso (“Twighlight zone” e “Silver towers”) e gravando o excelente e futurístico álbum “Hour glass”, que curiosamente só saiu na Alemanha, permanecendo inédito no resto do mundo. Até o seu relançamento esse ano. A nova edição de “Hour glass” traz além das 10 faixas originais nada menos que oito faixas bônus, incluindo quatro gravadas ao vivo. Contando com a participação de gente como Paul Martinez no baixo, Jeff Rich (Stretch) na bateria e Peter Solley (Rainbow) nos teclados, o álbum foi gravado no estúdio particular de Ringo (antiga residência de John Lennon, que serviu de cenário para o vídeo da canção “Imagine”), e mistura pop, rock, new wave, antecedendo tanto ao punk quanto a disco music. Músicas como “It ain’t funny”, “Street angels”, “Tomorrow babies”, “War of the worlds” e “The house of glass” são um verdadeiro achado. O motivo da idolatria de alguns DJs descolados, que vêm tocando as velhas músicas de Johnny nas festinhas de Londres e adjacências. Warman se tornaria uma lenda apenas durante os anos 80, gravando pelo selo Rocket de Elton John e lançando preciosidades como o álbum “Walking into Mirrors”, com a participação de Peter Gabriel (em “Screaming jets"). O fracasso de “From the jungle to the new horizons” fez Warman abandonar os estúdios pela carreira segura de compositor, fornecendo hits para gente como Jefferson Starship e Vanity 6. Em 2000, porém, voltou aos palcos e montou duas novas bandas – o Mods e o Four Bills and a Ben. O resto? O resto é história.

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Steve na visão de Marco
29 de novembro de 2010

O italiano Marco Lo Muscio, a estrela desta coluna no mês de novembro, encontrou uma fórmula, até então inédita, de traduzir não a música clássica através do idioma popular, no caso o rock. Mas sim de fazer o trajeto inverso, ou seja, de traduzir as pretensões do rock, neste caso o progressivo, trazendo-o para o fértil território erudito, pela linguagem genuinamente dos conservatórios, dos salões de câmara e recitais. Talentoso no piano e no órgão, curioso que o primeiro dos seus discos solo dedicados ao rock progressivo foi todo calcado num tributo ao guitarrista e violonista Steve Hackett – famoso músico do Genesis. Lançado originalmente em 2008, a idéia foi a de transcrever a riquíssima veia autoral de Hackett para a guitarra desta vez em versões para o grand piano e o órgão de tubos. O que poderia parecer loucura, revelou-se num sensacional disco apropriadamente intitulado New Horizons, The Music of Steve Hackett. Os disco tributos são geralmente tediosas tentativas de emprestar uma leve visão pessoal à obra de um artista consagrado. Marco vai muito mais adiante e simplesmente recria a música de Steve (selecionando o repertório de discos como “Voyage of the Acolyte”, “Bay of Kings”, “Guitar Noir” e “Momentum”) e até do Genesis (“Selling England By The Pound”) sob uma perspectiva estritamente erudita e clássica. O produto final é novo, fresco e original, acreditem. “Horizons”, “Hands of Priestess Part I” e “Firth of Fifth” (registrado no Chelyabinsk Organ Hall em 2004) ganham uma nova roupagem e desfilam com pompa, delicadeza e circunstância genuinamente progressiva para uma audiência que aguardava por isso há tempos. Quem poderia imaginar que “Kim” seria um dia executada com grande beleza na Westminster Cathedral (em 2007)? Se você ainda não conhece esse disco, corra. Ainda ganha de bônus, as belas execuções para “Bourée in e minor BWV 996” e “Prelude in G Major BWV 1007” de Bach.


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