SOBRE O SITE PROGNOISE WELCOME! BIENVENIDOS! BENVENUTI! BIENVENUE! WILLKOMMEN! VÄLKOMMEN! TERVETULOA! WITAMY! VÍTE(A)JTE! DOBRODOŠLI! ДОБРО ПОЖАЛОВАТЬ! ΚΑΛΩΣΟΡΙΣΑΤΕ! ברוכים הבאים! ようこそ! 歡迎光臨! Sejam bem-vindos! Boas vindas a todos que aqui chegam. A história do que é o Prog Noise, ou a estória (sim, por que a realidade e ficção se misturaram várias vezes ao longo dos anos), remonta ao ano de 1998, quando comecei a editar a coluna no jornal International Magazine que, neste ano de 2009, enfim começa a chegar às teias da web. É apenas uma simples coincidência que ao comemorar mais de 10 anos a coluna dá este passo, ainda que, como todos os iniciais, um pouquinho cambaleante, bastante humilde, porém decidido. E num futuro próximo o espaço evoluirá, ficará melhor e, aposto, mais interessante. Durante todo este tempo procurei oferecer aos fãs tradicionais e aos novos curiosos de rock progressivo um lugar de informações seguras, agradáveis, um espaço isento de preconceitos e o mais amplo possível com as atualidades do gênero – abrangente e difícil de definir desde o começo. Procuro abordar as velhas e as novas guinadas em sua direção, geralmente calcadas no passado (saudosos anos 70, a matriz áurea), sem descuidar do presente, das novas bandas, artistas, e as novas propostas. Ao misturar o rock com música erudita, clássica, jazz, folk, psicodelia, hard, eletrônica, vanguarda e o que mais se apresentasse, este gênero musical popular (sim, é pop!) chamado de “progressivo” provocou e ainda provoca calorosas e apaixonadas discussões, defesas e teses, sobre o que ele é, sobre o que não é, mas nunca ignorado. Por isso a liberdade e a inesgotável fonte de assuntos para as hoje mais de uma centena de edições da coluna. Algo que espero ser transposto, acredito que com sucesso, na medida do possível, para o espaço virtual ‘dot com’. Espero também contar com as opiniões e as sugestões de vocês para aprimorar sempre e continuar fornecendo conteúdo sobre o assunto - uma paixão de muitos. Jorge Albuquerque
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Talvez nenhuma outra banda tenha feito mais shows de despedida, dentro ou fora do rock, do que o outrora glorioso The Who. Desde 1982 que o grupo, de forma constrangedora, insiste em recolher o resto da fama em concertos, principalmente nos Estados Unidos, que acabam gerando discos e vídeos na intenção de engordar a conta bancária. Um grupo genial que se extinguiu no final dos anos 70, nem tanto pelos (muitos) excessos de Pete Townsend, mas pela irremediável morte do baterista Keith Moon, que subtraiu do conjunto aquele essencial espírito de selvageria adolescente que impulsionava Pete a compor em melhores direções. No fundo, o Who sempre foi o instrumento pelo qual Townsend experimentava o mundo e devolvia a ele sua inspiração. O cantor Roger Daltrey e os falecidos Moon e, recentemente, o baixista John Entwistle, serviam apenas como trampolim para seus mergulhos na alma da sua geração e passaportes seguros para embarcar nos seus projetos ousados que mudaram a face da música pop. Por mais que seja controverso, foi sim com o Who que o conceito de ópera-rock germinou, inspirado pelos Beatles, repleto de ambição à seriedade, amadurecendo a música pop, eternamente jovem, na marra. Se os outros três queriam apenas rock’n roll, com mão de ferro Townsend escreveu seus scripts e deu um jeito da turma fazer o serviço da melhor maneira com “Tommy” e “Quadrophenia”. E quando eram apenas uma banda de rock, eram também a melhor – “Who’s next” e “The who by numbers” não deixam margens para dúvida. Portanto, irrefreável a revolta de boa parte dos fãs quando, depois de dois discos irregulares após a morte de Moon, o conjunto virou uma espécie de Frank Sinatra ao voltar aos palcos, de tempos em tempos, por questões financeiras e para tocar “sucessos”. Pete não merecia e não devia.
Pete também não era nem mais levado a sério, principalmente por Daltrey e Entwistle, quando vinha com a velha promessa de um novo disco de inéditas do Who. Precisou ver o seu grupo reduzido a uma dupla para desengavetar de vez algumas canções e divulgá-las como feitas para o Who. Se esta foi a intenção, “Endless wire” parece transpirar o nervosismo. O disco prometido e lendário chegou às lojas no final de 2006 com quase um quarto de século de espera. Apesar de Pete sempre ter sido o majoritário compositor, senão o mentor, das músicas e líder inconstestável da carreira do Who, impossível não notar que, desta vez, produzido inteiramente por ele, gravado em grande parte no seu estúdio particular, com músicos selecionados exclusivamente em sua roda de amigos, inclusive o colega Roger, “Endless wire” venha a ser na verdade um novo disco solo de Townsend. Mas quantos dos clássicos do Who não o eram?
Os rumores sobre um novo disco do Who começaram a correr forte a partir de 2002, adiado com a morte de Entwistle e problemas de Townsend com a lei. Uma mini-ópera, “Wire & glass”, foi lançada nesse meio tempo, levando a assinatura de Pete & Roger, apesar deste último não contribuir com alguma composição. Em 2006 finalmente “Endless wire” saiu, notado por alguns como um reaproveitamento dos personagens inseridos em “Psychoderelict”, um dos recentes projetos musicais de Townsend. Daltrey praticamente é um intérprete de canções em “Endless wire”, que tem algumas músicas cantadas também pelo próprio Pete. Há bom material, em boa parte autobiográfica, e músicas que não fariam feio na trajetória do conjunto. Faixas como “A man in a purple dress”, “In the ether”, “It's not enough”, a delicada “God speaks of Marty Robbins” e “You stand by me” confirmam expectativas, falando de guerra, religião, amor, ódio, drogas, relações, como ninguém a não ser Pete. Encaixado no novo trabalho está a tal mini-ópera “Wire and glass”, que apresenta também composições acima da média, como “Sound round” e “Tea & theatre”, sempre no melhor estilo The Who – como todas as músicas de Townsend.
Questionável ou não que Pete e Roger continuem se servindo do nome e da fama do The Who para continuar no jogo, “Endless wire” é um excelente álbum, servindo melhor como um provável “último” do que foi o confuso e irritante “It’s hard” durante muito tempo.
E por falar em shows do Who... As filmagens que capturam a incendiária perfomance do Who no festival da Ilha de Wight (o Woodstock britânico) finalmente recebem um tratamento digital a altura no DVD “The Who Live at the Isle of Wight Festival 1970”, que recolhe e remasteriza a árdua tarefa do premiado cinegrafista e produtor Murray Lerner (vencedor do Oscar de 1980 com o documentário “From Mao to Mozart: Isaac Stern in China”) de fixar para posteridade um dos períodos mais excitantes da história da música pop e da explosão criativa de uma das maiores bandas de rock do planeta. Lerner é também diretor e o responsável pelos longas “Jimi Hendrix live at the Isle of Wight” e “Message to love: the Isle of Wight festival”, além do laureado “Miles electric: a different kind of blue”. Recuperadas as fitas originais e recebendo um tratamento de luxo no estúdio, a apresentação arrasadora do Who é colocada no seu devido lugar com o lançamento de “The Who Live at the Isle of Wight Festival 1970”. A maior parte dos fãs prefere o concerto registrado no álbum “Live at Leed”, dentro de uma série de shows que a banda realizou pouco antes de embarcar para Wight, considerados o ápice da revolucionária postura do conjunto no palco. Mas é em Wight que o The Who tocou praticamente toda a ópera rock “Tommy” (apesar de algumas sentidas ausências, como as de “Sensation” e “Underture”) e de quebra brindou a platéia com músicas pouco tocadas nos shows, como “I don't even know myself”, “Water” e “Naked eye”. Com uma restauração impecável, valorizada pela gravação em 24 bits mix e disponível num glamuroso som 5.1 Surrond Sound e DTS, “The Who Live at the Isle of Wight Festival 1970” é obrigatório na cabeceira de qualquer roqueiro sério e amante da loucura dos anos 70.
Pelas lentes de Lerner e com a supervisão do próprio guitarrista, compositor e líder do Who, Pete Townsend, o DVD “The Who Live at the Isle of Wight Festival 1970” (ST2) é uma celebração de uma era e marco de uma geração muito especial. Foram mais de 600 mil pessoas que correram para aquele paraíso britânico a procura de diversão e música, deparando com uma organização caótica e muita confusão. Em compensação, um evento que reuniu desde o Doors ao Jethro Tull, de Jimi Hendrix a Miles Davis, do Emerson, Lake & Palmer ao Free, entre muitos outros. O Who subiu ao palco de madrugada, às duas horas, para levantar a garotada com o repertório memorável: “I can't explain”, “Shout”, “Summertime blues”, “My generation”, “Magic bus” e a seqüência de canções de “Tommy”, como “It’s a boy”, “The acid queen”, “Pinball wizard”, “Go to the mirror”, “I’m free” e “See me, feel me”, entre outras. Mais de 35 anos depois, e após 85 minutos de pura energia ao vivo, a redentora entrevista de 40 minutos com Pete Townsend é reveladora e relata ainda muitos dos detalhes do show. Um detalhe a mais entre a oportunidade de poder rever a força da natureza da bateria de Keith Moon, a precisão e o distanciamento de John Entwistle, os dois já falecidos, e o vendaval sonoro que arrebata pela voz de Roger Daltrey. Histórico, para dizer o mínimo.
KEITH TIPPET GROUP – Dedicated to you, but you weren't listening (Akarma): no começo dos anos 70, na Inglaterra, Tippet chegou a rivalizar brevemente com um outro Keith pelo coração dos apaixonados por teclados. Mas enquanto Emerson enveredou pelo pop, formando o ELP e avançando nas paradas, Tippet permaneceu fiel ao jazz e ao experimentalismo, atraindo e cativando um público mais interessado em suas pesquisas sonoras ou nas suas participações nos discos do King Crimson, Peter Sinfield e Elton Dean – que o tornaram famoso. Keith era uma lenda do circuito de clubes de jazz em Londres quando montou o seu próprio sexteto em 1967 ao lado de Marc Charig, Nick Evans e Elton Dean, com eventual aparição de Roy Babbington e Harry Miller. O sucesso na época foi tão grande que o então poderoso selo Vertigo lhe ofereceu um contrato, que resultou nos hoje clássicos “You are here... I am there”, de 1970, e “Dedicated to you but you weren't listening”, do ano seguinte. Nessa mesma época, Tippet gravava com seu grupo os LPs “In the wake of Poseidon”, “Lizard” e “Island”, como parte do Crimson, a convite de Robert Fripp. “Dedicated to you” é o álbum mais influenciado e calcado no clima progressivo, contando ainda com a participação de Robert Wyatt, entre outros, mas o clima é do mais puro jazz britânico experimental, com solos inspirados de Tippet e a presença brilhante de Evans e Charig (em “Thoughts for Geoff”, por exemplo). A percussão de Wyatt abre o disco em “This is what happens” e é um dos seus melhores momentos em estúdio com ou sem o Soft Machine. “Green and orange night park”, por sua vez, é uma aventura dissonante influenciada por Charles Mingus. Música séria realizada como obra de arte, que volta às prateleiras por iniciativa do selo Akarma. O disco fez um relativo sucesso na época e impulsionou Tippet a formar outra banda, a Centipede, que teve alguns discos produzidos por Fripp. Hoje Keith é ainda um respeitado músico em atividade.
CRESSIDA – Cressida (Akarma): outra fabulosa banda britânica soterrada pelo sucesso avassalador dos medalhões do período. Formada nos final dos anos 60, profundamente influenciada pelo Moody Blues, era liderada por um expert no Mellotron e talentoso tecladista Peter Jennings. Jennings, Angus Cullen (vocais, guitarra), John Heyworth (guitarra), Kevin McCarthy (baixo) e Ian Clark (bateria) descolaram um contrato com a Vertigo para o álbum de estréia, em 1970. Com melodias agradáveis, quase assobiáveis, misturadas aalgumas passagens instrumentais intrincadas, lembrando um cruzamento de Moody Blues com King Crimson, “Cressida” é um disco surpreendente, com um fantástico trabalho de órgão, Mellotron e guitarra. Apesar de complexo e sério, a partes mais pop algumas vezes lembram o melhor dos Bee Gees dos anos 60 – talvez pelo produtor Ossie Byrne ser o mesmo dos australianos. O repertório revela pequenas jóias como as psicodélicas “Depression”, “Winter is coming again” e o blues de “Time for bed”. A voz de Cullen é algo entre Paul McCartney e Justin Hayward, ditando um tom pop enquanto a música é de alto nível. O grupo ainda gravaria mais um disco antes de terminar e seus músicos começarem a se espalhar por conjuntos como Uriah Heep e o Black Widow. Vale a pena conhecer.
DVD imperdível: Mahavishnu Orchestra
3 de agosto de 2010 Um dos conjuntos pioneiros na fusão de jazz com rock, iniciada no final dos anos 60 por Miles Davis, a Mahavishnu Orchestra foi capitaneada por toda a década de 70 pelo guitarrista virtuoso John McLaughlin, integrante da banda de Miles e do Lifetime de Tony Williams. A formação original consistia de McLaughlin, o tecladista Jan Hammer, o baterista Billy Cobham, o violinista Jerry Goodman e o baixista Rick Laird, um time dos sonhos para qualquer amante de música, que produziu muito do que o gênero teve de melhor a oferecer. Aquela formação gravou três álbuns clássicos para o selo Columbia entre os anos de 1971 e 1973 (The Inner Mounting Flame, Birds of Fire e o ao vivo Between Nothingness & Eternity) antes de desmoronar sob o próprio peso dos egos envolvidos. Em 1974 Goodman for substituído por Jean-Luc Ponty, Cobham por Narada Michael Warden, Laird por Ralphe Armstrong e Gayle Moran tirou a vaga de Hammer e também assumiu a novidade dos vocais. A sofisticação continuou intacta em álbuns avassaladores, como o antológico Apocalypse (com a Sinfônica de Londres e a produção de George Martin) e Visions of Emerald Beyond. A partir de 1975, John passou a se interessar cada vez mais por religião (hindu) e pelo violão acústico e o grupo entrou em uma fase mais introspectiva, saindo Ponty e Moran. O ótimo disco Inner World pode ser considerado um álbum solo de John (iniciada em 1969 com Extrapolation), que logo depois colocou o conjunto em hibernação por quase uma década, indo se dedicar ao novo grupo Shakti, a experiência bem sucedida ao lado de músicos indianos. McLaughlin também arranjou tempo para tocar com Carlos Santana, Paco de Lucia, Al DiMeola e até com o próprio Miles Davis novamente, entre outros. Em 1984 resolveu reviver, para a surpresa de muitos, a Mahavishnu Orchestra com Cobham, mais o saxofonista Bill Evans, tecladista Mitchell Forman, baixista Jonas Hellborg e o percussionista Danny Gottlieb. O único disco desta formação, Mahavishnu resultou em uma desapontadora diluição da idéia original, apesar de ótimos shows na turnê de divulgação. Depois McLaughlin retornaria com o Shakti e passaria a se dedicar exclusivamente aos seus discos na carreira solo ou em participações especiais no universo do jazz. O selo Eagle Vision e o comitê responsável pela organização do Festival de Montreaux, que juntos vem colocando nas prateleiras de todo o mundo boa parte das clássicas performances no famoso encontro anual de (boa) música, prepararam uma surpresa para os fãs: o DVD Mahavishnu Orchestra Live at Montreaux 1984 – 1974. O principal aqui parece ser o show da derradeira e teoricamente mais fraca fase do conjunto, mesmo assim com uma formação estelar (Evans, Forman, Hellborg, Gottlieb) apesar da ausência de Cobham. Gravado durante o despojado e menos ambicioso anos 80, a apresentação é correta, empolga em alguns momentos, e fornece uma nova tradução para a eletricidade do jazz criativo da Mahavishnu. O show é de primeira, com o destaque claro para o saxofone sempre presente de Evans (o que não existia nas formações anteriores, mais calcado na guitarra, teclados e violino) e o baixo infernal de Hellborg. Mas o apetite com o qual correrá o fã para ver o DVD é o registro (embora parcial, pelo o que é comentado) da espetacular e lendária apresentação de 1974. O segundo disco de Mahavishnu Orchestra Live at Montreaux 1984 – 1974 é o que realmente importa. Finalmente uma das performances da fase de ouro da mahavishnu Orchestra chega à era do DVD. Mclaughlin, Jean-Luc Ponty, Michael Walden, Gayle Moran, Ralphe Armstrong, acompanhados de um quarteto de cordas e dois instrumentos de sopro levantaram o público com a mistura de música clássica, erudita, ritmos orientais, vanguarda, jazz e rock, naquele que foi um dos pontos máximos da música dos anos 70. A lamentar apenas os poucos mais de 40 minutos de show, com apenas duas músicas completas: Wings Of Karma e Hymn To Him. Para rechear o disco, foram incluídas as porções áudio de Power of Love, Smile of the Beyond, Vision is A Naked Sword e Sanctuary. É frustrante não haver o show completo, mas o pedaço visual é de fazer girar a cabeça. A performance é perfeita, sanguínea e muscular, com alguns dos melhores momentos da carreira de cada um dos presentes. Muito da eletricidade do rock, os improvisos do jazz, a força de elevação espiritual da música erudita e até mesmo o balanço do funk e do soul, misturados, encontraram sua perfeita comunicação com a Mahavishnu Orchestra.
Uma entrevista com Hensley
31 de julho de 2010 Ken Hensley foi o primeiro a entrar em carreira solo, ainda no Uriah Heep, em 1973 com “Proud Words on a Dusty Shelf”. Dois anos depois repetiria a dose com “Eager to Please”. Mas foi após a saída definitiva do conjunto, em 1981, que se lançaria solo definitivamente – com o equivocado “Free Spirit”, com participação de amigos do Who, Deep Purple etc. O disco não vendeu, e Hensley decidiu se mudar para os Estados Unidos, onde ocupou por algum tempo o posto de tecladista do Blackfoot, na Flórida, até o grupo acabar em 1984. Foi quando se auto impôs um exílio da cena musical, trabalhando com produção e numa empresa de desenvolvimento de instrumentos musicais. O tempo passou, Hensley voltou novamente a compor e gravar, está lançando o seu novo álbum solo, “The Last Dance”, e decidiu mudar-se para a Espanha – de onde cedeu a entrevista exclusiva a seguir. Esta entrevista foi publicada em 2004 no site da revista Laboratorio Pop.
Laboratório Pop: – Por quê tocar guitarra e teclados numa banda de rock? E o que o convenceu a se tornar um músico profissional?
Ken Hensley: – Escolhi tocar um instrumento porque queria ver as minhas poesias em forma de canções. Minha mãe era pianista, e comecei tocando piano; até conhecer Elvis e resolver tocar guitarra. Mas foi após escutar os Beatles e o Who que decidi querer se uma estrela do rock. Abandonei tudo, vivi em um furgão, começando assim na estrada para fama e a fortuna!
Laboratório Pop: – Como conheceu os outros rapazes do Uriah Heep? Como surgiu a idéia para o nome da banda?
Ken Hensley: – É uma longa história. Mick e David estavam numa banda de nome Spice e eu conhecia Paul, o baixista. Eles precisavam de um tecladista, e eu entrei para o grupo. Depois de dois ou três ensaios decidimos mudar o nome. Foi quando nosso empresário, Gerry Bron, apareceu com o nome de Uriah Heep – personagem de Dickens. Tempos felizes. A gente fazia um pouco de dinheiro, eu já tinha me mudado do furgão e o primeiro disco estava pronto. Uma época mais divertida do que a de hoje. As companhias ajudavam os músicos a se desenvolver. Mas agora é uma indústria, e como tal o dinheiro conta mais do que a música.
Laboratório Pop: – Como era a relação do Uriah Heep com outras bandas da época, como o Led Zeppelin e Black Sabbath? É verdade que a música pop de hoje é inferior em criatividade à música pop daquela era?
Ken Hensley: – Foi uma época excitante. Havia pouca coisa acontecendo na música pop até a agressividade e a rebeldia do The Who aparecer para nos inspirar a experimentar coisas novas. Os Beatles, junto com Dylan e alguns outros, mostraram que era legal colocar letras inteligentes em canções pop e passamos a fazê-lo também. O som pesado do Zeppelin e do Sabbath era um outro elemento novo que, junto com o do Uriah Heep, cativou as platéias da cena européia de festivais, plataforma ideal para que esse tipo de energia e som alcançasse uma grande audiência. Foi uma espécie de sincronização. A música moderna perdeu, eu acho, a capacidade de compor canções... grandes canções! Esses popstars manufaturados continuam cantando as mesmas boas canções de antes ( “Unchained melody”, “Light my fire”, etc) e é raro ouvir algo novo que se compare.
Laboratório Pop: – O pessoal mais jovem costuma ver bandas como o Uriah Heep e outras dos anos 70 como “sérias demais”. Conte um pouco sobre o processo de composição e a divisão das músicas colocadas nos discos.
Ken Hensley: – Essa é a primeira vez queescuto alguém dizer que nossa música era “séria”! Sou sério sobre minha música e isso porque eu quero ser apreciado e mesmo ser útil. Eu era quem fornecia elemento melódico e lírico para o Heep. Os outros músicos eram quem colocavam o poder de fogo e o rock, por exemplo, em baladas como “July morning”. Costumávamos gravar a cada 10 meses, e sempre havia muito mais canções minhas disponíveis do que as dos outros. Mas quem tomava a decisão sobre quais iriam entrar no disco era o produtor Gerry Bron. Isso causava problemas dentro da banda.
Laboratório Pop: – Como era a vida de rockstar? O que causou sua saída do Uriah Heep?
Ken Hensley: – A vida era louca! Quando ainda não tínhamos um tostão no bolso, a gente se divertia tocando pela Europa. Mas foi o mercado americano se abrir para nós, que conhecemos o famoso estilo de vida do “mundo do espetáculo” e as coisas começaram a dar errado. As groupies e as limusines eram okay mas as drogas tornaram-se um grande problema, eventualmente matando Gary. Tornei-me um viciado em cocaína, da pior maneira, e ainda odeio aquele tempo em que desperdiçava e torrava muito mais dinheiro do que recebia. Saí do Uriah Heep em 1980 e a razão principal, entre outras, foi que tinham escolhido John Sloman como cantor no lugar de John Lawton. O conjunto havia se tornado uma paródia, e não havia diversão para mim naquilo.
Laboratório Pop: – Como foi sua mudança para os Estados Unidos?
Ken Hensley: – A razão principal para me mudar para aos Estados Unidos foi a de tentar limpar minha vida. Necessitava descobrir quem era eu fora do Uriah Heep, e pensei que alguns anos de semi-aposentadoria fariam bem. E passaram-se quase doze anos até que eu finalmente colocasse os meus pés no chão! O que mais me ajudou foi trabalhar com a St. Louis Music, uma empresa de instrumentos musicais. Deu estabilidade para minha vida e me manteve ligado ao negócio da música. Larguei definitivamente a cocaína, e a minha vida melhorou. Mas resolvi sair dos Estados Unidos em 2001 porque a vida não era mais agradável. E eu não poderia viver mais lá agora. O país mudou e, a meu ver, não foi para melhor. Odeio conflitos e odeio quando as pessoas sentem que único meio de resolverem suas diferenças é explodindo um ao outro! Sou cristão e sei por experiência que Deus e o Seu amor são a única resposta para os problemas do mundo. Vivo hoje na Espanha e estou feliz aqui. Minha nova esposa é espanhola, e vivemos numa fazenda remota e o ambiente é de muita inspiração.
Laboratório Pop: – Seu novo álbum recupera uma energia que não havia, por exemplo, em “Free Spirit”. Como compararia ele com seus outros solos?
Ken Hensley: – Gravei “The Last Dance” na Espanha onde tenho um estúdio particular. Os músicos são principalmente espanhóis e trouxeram um estilo próprio que trouxe naturalidade e diferença. “Free Spirit” foi realizado num período em que não estava bem fisicamente nem mentalmente. Foi mais uma espécie de demonstração após a saída do Heep. Motivo ruim, resultado ruim! “Prouds Words on a Dusty Shelf” é um álbum quase inocente se comparado, enquanto “Eager to Please”, gravado em Los Angeles, é um pouco orquestral demais.
Laboratório Pop: – “The Last Dance” possui um sentimento religioso forte. Haveria comparação com suas canções da época de Uriah Heep?
Ken Hensley: –Agora tenho liberdade para compor o que eu bem entendo. Sou cristão e acredito que Deus me deu como dom a música e a capacidade de compor. Às vezes as referências a Ele são sutis (“Dancing”), outras vezes não (“Did you know”). Não quero ofender ninguém dizendo como viver as suas próprias vidas vive mas me sinto livre para fazer recomendações onde for apropriado! O meu estilo de compor permanece o mesmo, mas agora não preciso fabricar temas e sentimentos e nem agradar aos colegas de banda e a companhia.
Laboratório Pop: – O Uriah Heep está chegando ao Brasil para uma série de shows. Por que a banda não veio antes? Algum plano de tocar por aqui?
Ken Hensley: –O Brasil se tornou um mercado viável para shows passado nosso auge e fama. Fui ao Brasil algumas vezes a negócio e cheguei a tocar num pequeno clube de São Paulo quando me encontrei, por puro acaso, com Billy Sheehan e Greg Bissonette. Adoraria voltar a tocar aí novamente, mas seria melhor se o disco fosse lançado e alguém se interessasse em promover os shows. Vou torcer para isso!
Rock catalão, está na hora de conhecer
7 de junho de 2010 PICAP, um celeiro do melhor do rock catalão. Fundada em 1984, portanto comemorou 25 anos de bons serviços à música e a cultura popular catalã ano passado, época de lançamento de “Música Laietana – Zeleste”. Ela se preocupa em ser uma referência em música catalã, manifestação peculiar e riquíssima do povo nacional, tão vasta como a andaluz, e cada vez mais sob os holofotes da atenção do público internacional. Para quem gosta de rock, o caso da maior parte dos visitantes do site, é bom lembrar que a PICAP é a casa da discografia ou dos lançamentos (e relançamentos) de conjuntos de extrema relevância como Iceberg e Màquina! abordados nesta edição do Prog Noise. Faça uma visita ao site e pesquise pelo seu artista catalão de preferência – talvez ele esteja lá. Olé!
Para maiores informações...
31 de maio de 2010 Para adquirir este lançamento histórico, basta fazer uma visita ao site do selo, em www.picap.com e clicar em “shop” ou entrar em contato no endereço P.O. Box, 253, 08200, Sabadell (BCN), ou pelos telefones 937.471.100/Fax. 93.714.36.43 ou pelo email picap@picap.cat. De uma forma ou de outra, vale a pena.